A 3ª edição do Prêmio Territórios, realização do Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, recebeu 86 projetos, realizados por diferentes tipos de unidades escolares e vinculadas a todas as Diretorias Regionais de Ensino de São Paulo.

Os projetos foram inscritos por professores e gestores escolares, muitos em parceria com membros da comunidade, o que mostra uma crescente e desejável integração entre agentes que se encontram dentro e fora das unidades escolares.

Conforme o regulamento do Prêmio, as propostas foram analisadas segundo os seguintes critérios:

• a integração entre escola e território;
• a relação com a cultura em sua ampla acepção e diversidade, incluindo as diversas culturas e fazeres artísticos produzidos por estudantes e pela comunidade;
• a colaboração de membros da escola e da comunidade;
• o protagonismo dos participantes;
• a interdisciplinaridade;
• a acessibilidade e a diversidade;
• a conexão do projeto com o currículo da escola;
• a consistência dos processos de investigação e produção de conhecimento;
• os efeitos gerados nos participantes, no ambiente escolar, na gestão escolar e na comunidade;
• e o potencial multiplicador da metodologia utilizada.

Além dos critérios acima, foram valorizados os projetos que demonstraram a centralidade dos estudantes no processo educativo, respeitados em sua integralidade e trabalhados em sua integralidade. Projetos que associaram a pauta da educação aos direitos humanos, então observamos projetos que articulam educação e segurança alimentar, educação e combate ao racismo, educação, acessibilidade e inclusão, educação e memória .“

Também se procurou contemplar na seleção dos 10 projetos premiados a diversidade de abordagens, saberes, objetivos de aprendizagem e estratégias aplicadas, que variam substancialmente de acordo com a faixa etária e perfil dos estudantes, o perfil dos professores e gestores escolares e da própria escola e seu território.

Entre os 86 projetos inscritos foi possível notar algumas tendências gerais:

– O desejo de conexão com a cidade e da busca pelo reconhecimento das oportunidades educativas que o território oferece. Em alguns casos, essa busca acontece de forma pontual e não enraizada no PPP da escola. Em outros, é parte intrínseca do espírito e do planejamento da unidade escolar, aspecto que na seleção buscou-se privilegiar quando possível.

– O tratamento de pautas sociais urgentes, como o racismo, o machismo, as questões ambientais, também foi marcante no conteúdo das propostas. Esse aspecto mostra como as escolas estão antenadas à discussão social mais ampla, embora em alguns momentos haja a necessidade de aprofundamento conceitual em algumas abordagens.

–   A percepção de que a escola caminha para um projeto coletivo. Sentimos o crescimento da articulação entre professores e demais segmentos da escola: funcionários, pais e especialmente os estudantes. Nos materiais apresentados há um protagonismo muito forte dos alunos, que saíram de uma posição de aprendizes e são hoje produtores de cultura.

Se há algum ponto a destacar como horizonte desejável, seria a conexão mais clara e precisa entre as práticas em andamento e seus respectivos objetos de aprendizagem e processos de avaliação. Estratégias criativas e mobilizadoras dentro e fora da escola são essenciais para criar um ambiente de aprendizagem pautado pelo entusiasmo e protagonismo dos estudantes. No entanto, a delineação dos objetivos, o acompanhamento do processo e a avaliação dos resultados dessas estratégias são decisivos para que ela se realize em sua totalidade.

O que certamente há de se comemorar é o fato do conjunto das propostas inscritas, e mais ainda os 10 projetos selecionados, mostrarem o quanto a rede municipal de São Paulo vem buscando com afinco fortalecer suas práticas criando novas relações com a cidade – seja saindo ao encontro dos territórios, seja trazendo o território para dentro do ambiente escolar – considerando a importância de uma educação integral, integrada e integradora.
O vigor e a inventividade dos professores e gestores escolares estão voltados à recriação das práticas educativas para que a escola possa se transformar e, com isso, formar indivíduos mais cientes da complexidade de si mesmos e dos mundos possíveis a serem construídos.

O júri:

Beatriz Goulart é diretora do centro de pesquisas e projetos Cenários Pedagógicos. Participou da concepção e da implantação dos CEUs em São Paulo, do Bairro-Escola de Nova Iguaçu, do Mais Educação/MEC, da criação do Centro de Referências em Educação Integral, entre outros projetos desenvolvidos através de metodologias participativas. Consultora da Associação Casa Azul como curadora pedagógica da Flip e do Prêmio Territórios no Instituto Tomie Ohtake.

Felipe Arruda Diretor do Núcleo de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake, responsável pelas ações culturais, educativas e de acessibilidade da instituição. Atua desde 2002 na gestão de programas ligados à arte e à cultura. Foi Coordenador de comunicação e produção da gravadora Núcleo Contemporâneo, Gestor de Projetos culturais da Brant Associados e Instituto Pensarte, Gerente de Planejamento da Base7 Projetos Culturais e Gerente de Artes do British Council no Brasil. É integrante da rede internacional U-40, da UNESCO, voltada à promoção da Convenção pela Diversidade Cultural.

Macaé Evaristo Professora da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte desde 1984, onde atuou na coordenação e direção de escola pública. Atuou como Gerente de Coordenação da Política Pedagógica, Secretária Adjunta e Secretária Municipal de Educação, no período de 2004 a 2012. Foi professora do Curso de Magistério Intercultural Indígena e coordenou o Programa de Implantação de Escolas Indígenas de Minas Gerais. Atuou como Secretária de Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação . Foi Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais.

Mayra Vidal Bacharelado e Licenciatura em Geografia pela USP (2012) Licenciatura em Pedagogia pela Uninove (2015).Professora há 10 anos, na rede municipal há 6 anos. Assistente Técnico de Educação desde março de 2017 na Coordenadoria dos CEUs e da Educação Integral da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Juliana Almeida Possui graduação e pós graduação em Direito, advogada e professora
universitária desde 2000. Atualmente é professora na faculdade de Direito da Estácio.